Mostrar mensagens com a etiqueta o blog estará parado durante uns tempos. voltarei quando conseguir escrever como escrevia.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta o blog estará parado durante uns tempos. voltarei quando conseguir escrever como escrevia.. Mostrar todas as mensagens

16 fevereiro 2008

Não encontro um título para isto


O dia em que acordamos, nos olhamos ao espelho e percebemos que tudo o que vivemos no, último, ano, mês, dia... é uma mentira, daquelas grandes, qual bola de neve, que quando nos apercebemos já é maior que nós mesmos, maior que a nossa capacidade de a ver no espelho, reflectida em nós... aquela mentira que todos viram, menos nós. Que está estampada na nossa cara, nos nossos actos, na nossa voz... que é perceptível ao individuo que olha para nós no semáforo quando estamos parados lado a lado, ao vizinho que apanha connosco o elevador, à senhora que está sentada no lugar em frente, no café onde parámos para fumar um cigarro.

Todos vêem a mentira que está colada a nós...

No dia em que acordamos e nos deparamos nós mesmos com essa mentira estampada nos olhos, nas lágrimas, nas olheiras, nas noites mal dormidas... Nesse dia...mais uma vez, tudo perde a magia. Porque a mentira, enquanto permanece latente, tem a sua magia, transporta-nos para um mundo só nosso, que só nós entendemos. Porque não a vemos (ou não queremos ver) porque acreditamos que nada no amor é falso. Porque acima de tudo, acreditamos demasiado nos outros e muito pouco em nós.

Nesse dia não há nada, nem ninguém que possa de alguma forma aliviar, apaziguar aquilo que vai cá dentro. Sofre-se mais com a perda de uma ilusão do que com a morte de uma realidade, dizem... E é assim que nos sentimos destruidos por dentro, apáticos por fora. Ninguém nos entende, ninguém sabe, ninguém vê...

Ficamos nós e a nossa mentira, que nos acompanhou desde o primeiro dia, que sempre se manteve calada... e que agora nos grita aos ouvidos que está ali... connosco.

Acordamos... Não há nada que possamos fazer. Só o tempo... "o tempo é o melhor dos escultores" dizia a professora de filosofia do 10º ano. Preciso que o tempo transforme em pó a escultura que eu construí... e que construa a dele... levando o tempo que for preciso.

Porque agora tenho tempo, para mim.


Um abracinho a todos os que conseguiram ler isto até ao fim...